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Pesquisa: Narrativas brancas, mortes negras Destaque

A Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas (INNPD), o Centro de Estudos Latino Americanos sobre Cultura e Comunicação (CELACC-USP), a Ponte Jornalismo, com o apoio do Alma Preta, organizaram a pesquisa "Narrativas brancas, mortes negras". Veja aqui

 

Texto / Pedro Borges

A pesquisa “Narrativas brancas, mortes negras” é divulgada ao público nesta quarta-feira (23), das 19h às 22h, na Casa do Baixo Augusta. Organizado pela Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas (INNPD), Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação (CELACC-USP), Ponte Jornalismo e pelo Alma Preta, o material analisou a cobertura da Folha de S.Paulo sobre as rebeliões ocorridas no sistema carcerário, que ocorreram entre 1º e 14 de Janeiro, em 2017.

As fontes foram divididas em quatro grupos: as fontes oficiais representam o Estado; as oficiosas, os funcionários da máquina pública que não podem se posicionar em nome do Estado; as não-oficiais, que são as representantes da sociedade civil; e as disruptivas, que consistem em figuras pertencentes aos movimentos sociais.

Os números apontam para a presença significativa das fontes oficiais, principalmente quando comparadas às disruptivas, aquelas que apresentam posicionamento diferente do hegemônico.

No campo das ações foi possível ver quais as principais justificativas utilizadas pela Folha de S.Paulo para o problema em questão. Destaque foi dado para palavras que descrevem a barbárie dos sujeitos envolvidos na rebelião, como decapitado e carbonizado, em detrimento de outras. Esses sãos os casos de privatização e superlotação, palavras que explicam parte dos problemas do sistema carcerário de acordo com os movimentos sociais que debatem o tema.

Os analistas aqui observaram outro padrão de manipulação, de acordo com o estudo de Perseu Abramo, o da inversão. Para ele, quando dialoga com a perspectiva da mídia hegemônica, ela inverte as consequências e as causas.

Segundo a cobertura da Folha de S.Paulo, as rebeliões parecem ter sido motivadas pela desumanidade daqueles sujeitos ao invés dos problemas do sistema carcerário em si.

Outro fator que chamou atenção dos pesquisadores foi a citação, por uma única vez durante a cobertura, da palavra negro. Mesmo diante de um sistema carcerário seletivo e de estados onde há uma concentração significativa de negros presos, o marcador em questão foi omitido.

Atualmente, no Brasil, mais de 60% dos presos são negros, dados que variam de acordo com as regiões do país. Nos estados onde as mortes ocorreram essa marca é mais expressiva. Em Manaus por exemplo, 71,7% da população presa é negra; em Roraima, 82,2%; e no Rio Grande do Norte, 69,5%. Os dados são do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen 2014).